carmenère black bear


tua casa procurei
num país que não achei
tão bela em meus sonhos


imagino a vida indo e vindo
com você nela indo e vindo
comigo indo e subindo
os montes mais altos e descendo feliz
como se existisse uma correnteza num chafariz


a música soa ao fundo
teus olhos me olham e me cercam
entoam o canto
que eu pretendo, ao menos, não esquecer
sua boca se move, abre, fecha, respira
e seus olhos não tiram as mãos dos meus.
continuo ouvindo a música ao fundo
mas o que prende é o que sai de você.
você entra em mim
com esses olhos marcantes que antes,
por trás da armação negra, eram só um sorriso
feliz e engraçado, surreal.

agora me toma, me esmaga, me cega.
me prende, me beija,
deseja.


minha casa você achou
num país que não existe
tão simples em realidade você a tomou
e se liquidou em prazeres
durante a noite e a falta d´água
enquanto nossos corpos se tocavam


dezenove + cinco


senti que não aproveitei tudo o que queria,
senti agora ou invés de sentir no dia.

invenção da mente, ou somente esqueci que senti?
enquanto a verdade, travada no meu peito, revela que só desejo,
o desejo, de sentir de novo, aquilo pelo qual esmaeci.

de tal forma, pela corda que me enroscou naquele movimento,
momento de luz e sombras, como uma dança épica,
do primeiro beijo.

tal cortejo cortado ao meio, na minha mente que anseia pela volta,
volta do que nunca tive, volta do que não se foi,
apenas uma frase disse:

mas, uma delícia foi.

.


uma coisa é certa,
o amor vai estar em mim sempre.
vou ter um namorado quando eu quiser ter.
casar quando eu estiver pronta.
e isso vai ser só por que eu vou querer.
é sempre assim e as pessoas não percebem.
uma equação tão simples que todos complicam.
querer é poder.
quando dois querem acontece.
e não adianta falar que quem você quer não te quer.
você tá querendo a pessoa errada,
exatamente por que você não quer nada.

saia dessa loucura,
abra os olhos, de verdade,
respire fundo,
todo mundo sabe o que realmente quer.